Tronco Antônio de Mariz (1537–1584)

Genealogia de uma linhagem nobre portuguesa que se estabeleceu no Brasil durante o século XVI, fundando a cidade do Rio de Janeiro e perpetuando uma ascendência que remonta à nobreza medieval. Reconstrução baseada em fontes primárias como o Nobiliário de Felgueiras Gayo, a Nobiliarquia Fluminense, a Genealogia Paulistana e registros paroquiais.

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Nota Histórica: A Nobreza Portuguesa e o Brasil Colonial

Este tronco genealógico desvela uma realidade fundamental da história colonial brasileira: a quase completa ausência de nobreza portuguesa em terras americanas. Antônio de Mariz, fidalgo de baixa estirpe, representa uma exceção notável — um homem de sangue nobre que, por sua condição secundária na hierarquia aristocrática, viu-se impelido a buscar fortuna e posição no ultramar. Sua participação na fundação do Rio de Janeiro em 1565, ao lado de Estácio de Sá, insere-o no panteão dos primeiros colonizadores, mas sua biografia revela mais do que simples pioneirismo: demonstra o profundo desprezo que a alta nobreza portuguesa nutriu pelo Brasil, tratado como mero fornecedor de riquezas, jamais como extensão civilizacional do reino.

Ao contrário das elites paulistas, que raramente podem traçar ascendência até casas reais europeias, a linhagem de Antônio de Mariz conecta-se à nobreza medieval portuguesa, chegando a Dom Martim Afonso O Chichorro, filho bastardo do Rei Afonso III de Portugal. Essa distinção, contudo, não deve ser interpretada como mérito ou privilégio. Como bem demonstra a demografia histórica, todos os seres humanos vivos descendem de nobres: na Europa, praticamente qualquer europeu é descendente de Carlos Magno; no Brasil, dezenas de milhões compartilham a ascendência de Antônio de Mariz. O estudo desta linhagem tem, portanto, finalidade histórica e genealógica, não celebratória. Ele visa tão somente que a família Gontijo — e todos os interessados — possam conhecer, com rigor documental, as origens profundas de sua árvore genealógica.

A conexão deste tronco com a família Gontijo se dá através do Ramo Francisca de Paula Azeredo Coutinho, que liga a descendência de Antônio de Mariz ao tronco de Manoel da Costa Gontijo I, estabelecendo um elo entre a fundação do Rio de Janeiro e a ocupação das Minas Gerais no século XVIII.

Observação: É possível que algumas datas de nascimento e morte estejam erradas (página em constante mudança).

Referência: Esta linhagem está documentada no Nobiliário de Felgueiras Gayo (Tomo XVIII, Marizes), na Nobiliarquia Fluminense de Macedo Soares, e nas obras de Carlos G. Rheingantz sobre as primeiras famílias do Rio de Janeiro.

Parte I – Ascendência de Antônio de Mariz até Martim Afonso O Chichorro

Geração A1: Antônio de Mariz (c. 1537 – 1584)

Antônio de Mariz nasceu em Barcelos, Portugal, por volta de 1536. Filho de Afonso Lopes de Mariz, senhor da Quinta do Paço Velho em Mariz, Barcelos, e fidalgo da Casa Real, e de Dona Branca de Mello, descendente do rei Afonso III de Portugal. Antônio pertencia à baixa nobreza portuguesa — uma posição que, embora lhe conferisse status, não lhe garantia fortuna ou influência na metrópole.

No século XVI, a Coroa portuguesa via o Brasil como um empreendimento comercial, não como uma extensão do reino. Nobres de alta estirpe raramente se aventuravam no ultramar, preferindo as cortes e os cargos administrativos em Portugal. Foi nesse contexto que Antônio de Mariz, movido pela necessidade de ascensão social e econômica, integrou a expedição de Estácio de Sá que, em 1565, fundou a cidade do Rio de Janeiro.

Chegando ao Brasil, Antônio destacou-se como provedor da Fazenda Real e juiz da Alfândega (1568-1573), e posteriormente como vereador do Rio de Janeiro em 1577. Foi armado cavaleiro pelo governador Antônio de Salema. Participou da Guerra de Cabo Frio, que visava eliminar o domínio franco-tamoio no litoral norte da capitania.

Casou-se por volta de 1566 com Isabel Velho (c. 1541-1619), natural de Ponte de Lima, Viana do Castelo. O casal estabeleceu-se em terras na região da atual Ponte dos Marinheiros (próximas à Av. Presidente Vargas) e em Niterói, onde foram proprietários de vastas extensões. Martim Afonso Arariboia, o famoso cacique temiminó, recebeu de Mem de Sá, em 1567, uma sesmaria em terras que haviam pertencido a Antônio de Mariz e Isabel Velho.

Antônio faleceu em 1584, vítima de uma emboscada armada por índios hostis na Lagoa da Sentinela, em Niterói. Seu corpo nunca foi recuperado, e sua morte prematura, aos 48 anos, marcou o fim de uma trajetória que, embora breve, deixou profunda marca na história do Rio de Janeiro.

Geração A1 – Fundador no Rio de Janeiro

Antônio de Mariz

(c. 1537 – 1584)

Isabel Velho

(c. 1547 – 1619)

Fontes:

  • RHEINGANTZ, Carlos G. Primeiras Famílias do Rio de Janeiro (Séculos XVI e XVII). Rio de Janeiro: Livraria Brasiliana, 1965. Tomo II, p. 519. Visualize aqui.
  • GAYO, Felgueiras. Nobiliário de Famílias de Portugal. Tomo XVIII, Marizes, § 1 N 14, p. 74. Visualize aqui.

Geração A2: Branca de Mello (?-?) e Afonso Lopes de Mariz (c. 1470 – ?)

Afonso Lopes de Mariz, filho de Antônio de Mariz, foi senhor da Quinta do Paço Velho em Mariz, Barcelos, e fidalgo da Casa Real. Casou-se com Branca de Mello, descendente do rei Afonso III de Portugal, unindo a linhagem Mariz à nobreza medieval portuguesa.

Poucos registros detalhados sobre sua vida sobreviveram, mas sua posição como senhor de terras e fidalgo da Casa Real atesta sua importância na estrutura social portuguesa do final do século XV e início do XVI.

Geração A2 – Pais de Antônio de Mariz

Afonso Lopes de Mariz

(c. 1470 – ?)

Branca de Mello

(? – ?)

Fontes:

  • GAYO, Felgueiras. Nobiliário de Famílias de Portugal. Tomo XVIII, Marizes, § 1 N 14, p. 74. Visualize aqui.

Geração A3: Fernão Pinto de Melo (c. 1450 – ?) e Izabel de Miranda de Berredo (c. 1435 – 1505)

Fernão Pinto de Melo, pai de Branca de Mello, foi um nobre português de linhagem antiga. Casou-se com D. Izabel de Miranda de Berredo, filha de Vasco Álvares Pereira, 1.º Senhor de Fermedo, e de D. Izabel de Miranda (Barrameda Miranda). Esta união conectou a família Pinto de Melo a uma das mais tradicionais linhagens da nobreza portuguesa.

Fernão Pinto de Melo era filho de Gonçalo Vaz Pinto, que por sua vez era filho de Gonçalo Vaz Pinto e Catarina de Mello (também conhecida como Catarina Melícia de Melo).

Geração A3 – Avós de Antônio de Mariz

Fernão Pinto de Melo

(c. 1450 – ?)

Izabel de Miranda de Berredo

(c. 1435 – 1505)

Fontes:

  • GAYO, Felgueiras. Nobiliário de Famílias de Portugal. Tomo XXIII, Pintos, § 3 N8 e N9, p. 42-44. Visualize aqui.

Geração A4: Gonçalo Vaz Pinto (c. 1425 – ?) e Guiomar de Sousa e Castro (c. 1430 – ?)

Gonçalo Vaz Pinto, pai de Fernão Pinto de Melo, foi um nobre português que se destacou por seu casamento com Guiomar de Sousa e Castro, filha de Fernão de Sousa, Senhor de Gouvea (Fernão de Sousa Chichorro), e de sua mulher Mécia de Ataíde Castro. Esta união trouxe para a linhagem Pinto o sangue dos Sousas, uma das mais antigas e prestigiosas casas nobres de Portugal.

Gonçalo Vaz Pinto era o 2.º Senhor de Ferreiros, e sua esposa Guiomar era filha de Fernão de Sousa Chichorro, que por sua vez era descendente direto de Dom Martim Afonso O Chichorro, filho bastardo do Rei Afonso III de Portugal.

Geração A4 – 3º Avós de Antônio de Mariz

Gonçalo Vaz Pinto

(c. 1425 – ?)

Guiomar de Sousa e Castro

(c. 1430 – ?)

Fontes:

  • GAYO, Felgueiras. Nobiliário de Famílias de Portugal. Tomo XXIII, Pintos, § 1 N8 e N9, p. 42-44. Visualize aqui.
  • GAYO, Felgueiras. Nobiliário de Famílias de Portugal. Tomo SOUZAS, § 67 N18, p. 71-73. Visualize aqui.
  • SOUSA, António Caetano de. Historia genealogica da Casa Real Portugueza. Tomo XII, Parte II, Livro XIV, 815. Visualize aqui.

Geração A5: Fernão de Sousa Chichorro (c. 1440 – c. 1492) e Mécia de Ataíde Castro (c. 1420 – ?)

Fernão de Sousa Chichorro, Senhor de Gouvea, foi o pai de Guiomar de Sousa e Castro. Filho de Martim Afonso de Sousa, 4.º Senhor de Mortágua, e de Violante Lopes de Távora, Fernão pertencia a um dos mais antigos e influentes ramos da nobreza portuguesa, descendente direto de Dom Martim Afonso O Chichorro.

Sua posição como Senhor de Gouvea e sua ascendência real conferiam-lhe grande prestígio na corte portuguesa do século XV. Casou-se com Mécia de Ataíde Castro, filha do 1.º Conde de Atouguia, D. Álvaro Gonçalves de Ataíde.

Geração A5 – 4.º Avós de Antônio de Mariz

Fernão de Sousa Chichorro

(c. 1440 – c. 1492)

Mécia de Ataíde Castro

(c. 1420 – ?)

Fontes:

  • GAYO, Felgueiras. Nobiliário de Famílias de Portugal. Tomo SOUZAS, § 332 N18, p. 236-237. Visualize aqui.

Geração A6: Martim Afonso de Sousa, 4.º Senhor de Mortágua (c. 1385 – 1455) e Violante Lopes de Távora (c. 1390 – 1455)

Martim Afonso de Sousa, 4.º Senhor de Mortágua, foi o pai de Fernão de Sousa Chichorro. Filho bastardo de Martim Afonso de Sousa, 2.º Senhor de Mortágua, e de Aldonça Rodrigues de Sá, foi legitimado pelo Rei João I em 2 de janeiro de 1443, conforme registrado na Torre do Tombo (L. 3 dos Registos do dito Rei, p. 66).

Sua legitimação permitiu que sua linhagem fosse reconhecida como parte da nobreza portuguesa, e seu casamento com Violante Lopes de Távora consolidou a posição da família na hierarquia social do reino.

Geração A6 – 5.º Avós de Antônio de Mariz

Martim Afonso de Sousa, 4.º Senhor de Mortágua

(c. 1385 – 1455)

Violante Lopes de Távora

(c. 1390 – 1455)

Fontes:

  • GAYO, Felgueiras. Nobiliário de Famílias de Portugal. Tomo SOUZAS, § 332 N17, p. 236-237. Visualize aqui.

Geração A7: Martim Afonso de Sousa, 2.º Senhor de Mortágua (c. 1343 – c. 1405) e Abadessa Aldonça Rodrigues de Sá (c. 1354 – 1422)

Martim Afonso de Sousa, 2.º Senhor de Mortágua, foi o pai do 4.º Senhor de Mortágua. Filho de Martim Afonso de Sousa Chichorro II e de Aldonça Annes de Briteiros, deu continuidade à linhagem dos Sousas, que se consolidaria como uma das mais importantes casas nobres de Portugal.

Seu casamento com Aldonça Rodrigues de Sá (também registrada como Aldonça Roiz de Sá) gerou a descendência que, através de seu filho bastardo, legitimado por D. João I, perpetuaria o sangue real na família.

Aldonça Rodrigues de Sá foi abadessa do Mosteiro de Rio Tinto, que ficava na região do Porto, Portugal.

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Nota: Sobre o Casamento de Martim Afonso de Sousa

Segundo Gayo (GAYO, Tomo SOUZAS, p. 69), Martim Afonso de Sousa teve apenas dois casamentos, mas não foi casado com Aldoança Roiz, o que nos leva a entender que se tratava de relacionamento extra-conjugal que gerou prole que, em todo caso, resultou na linhagem de Martim Afonso de Sousa, 4o senhor de Mortágua.

Geração A7 – 6.º Avós de Antônio de Mariz

Martim Afonso de Sousa, 2.º Senhor de Mortágua

(c. 1343 – c. 1405)

Aldonça Rodrigues de Sá

(c. 1354 – 1422)

Fontes:

  • GAYO, Felgueiras. Nobiliário de Famílias de Portugal. Tomo SOUZAS, § 66 N16, p. 69-70. Visualize aqui.

Geração A8: Martim Afonso de Sousa Chichorro II (c. 1280 – ?) e D. Aldonça Anes de Briteiros (? – ?)

Martim Afonso de Sousa Chichorro II, pai do 2.º Senhor de Mortágua, foi o responsável por consolidar a linhagem Chichorro como um ramo reconhecido da nobreza portuguesa. Filho de Dom Martim Afonso O Chichorro (filho bastardo do Rei Afonso III) e de Inez Lourenço de Sousa, Martim Afonso Chichorro II herdou o sobrenome e a posição social de seu pai.

Martim Afonso de Sousa Chichorro II nasceu entre 1280 e 1295 e faleceu depois de 1341, ano em que aparece no acordo de casamento do seu filho.

Casou-se com Aldonça Annes de Briteiros, uma nobre portuguesa e abadessa do Mosteiro de Arouca. Filha de João Rodrigues de Briteiros e de Guiomar Gil de Soverosa, Aldonça de Briteiros e Martim Afonso Chichorro II eram primos.

Geração A8 – 7.º Avós de Antônio de Mariz

Martim Afonso de Sousa Chichorro II

(c. 1280 – c. 1340)

Aldonça Annes de Briteiros

(? – ?)

Fontes:

  • GAYO, Felgueiras. Nobiliário de Famílias de Portugal. Tomo SOUZAS, § 66 N15, p. 69-70. Visualize aqui.

Geração A9: Dom Martim Afonso O Chichorro (c. 1250 – 1313) e D. Inês Lourenço de Valadares (c. 1260 – ?)

Dom Martim Afonso O Chichorro foi um dos mais notáveis bastardos reais da história de Portugal. Filho do Rei Afonso III de Portugal e de Madragana Bat Aloandro (também conhecida como Mourana Gil), uma moura de origem judaica sefardita, filha do alcaide de Faro, Aloandro Ben Bakr ibn Yahya.

Casou-se com Inez Lourenço de Sousa, filha de Lourenço Soares de Valadares e de Maria Mendes de Sousa, consolidando sua posição na nobreza portuguesa. Sua linhagem, através de seus descendentes, perpetuou-se em diversas casas nobres de Portugal e, posteriormente, do Brasil.

O Chichorro — apelido que significa "pessoa magra e esguia" — tornou-se o sobrenome de uma das mais antigas linhagens portuguesas, que se estenderia por gerações, chegando até os dias atuais através de famílias como os Gontijo.

Embora a tentação de seguir os fios genealógicos que partem de Dom Martim Afonso e de sua esposa seja grande, afinal, por parte do rei Afonso III chega-se ao primeiro monarca português, Afonso Henriques, e a figuras como Eleanor da Inglaterra, neta de Henrique II, cuja árvore se estende até Alfredo, o Grande; por parte de Inez Lourenço de Sousa, os ramos alcançam Hugo Capeto, Carlos Magno e o próprio Rollo da Normandia, optei por não aprofundar essas ascendências neste espaço. Não por desinteresse ou menosprezo, mas porque elas já são exaustivamente documentadas e comentadas por genealogistas de ofício. Apesar de Antônio de Mariz ser um dos troncos mais antigos a chegar ao Brasil, sua linhagem, justamente por sua condição de fidalgo, é também uma das mais fáceis de rastrear em fontes históricas. Repetir aqui o que já está amplamente disponível seria mais cansativo do que esclarecedor. Prefiro, portanto, concentrar-me no que esta história tem de particular e, com isso, evitar transformar o site em mais uma repetição de árvores que o leitor pode encontrar em qualquer nobiliário bem feito.

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Nota: A Origem de Madragana Bat Aloandro (Mourana Gil)

A origem étnico-religiosa de Madragana Bat Aloandro (ou Mourana Gil) e de seu pai Aloandro Ben Bekar (ou Ben Bakr) não é consensual entre os historiadores. Crônicas do século XVI, como as de Duarte Nunes de Leão, apresentam-na como moura (muçulmana de origem árabe-berbere). Porém, no século XVIII, António Caetano de Sousa contestou essa versão na História Genealógica da Casa Real Portuguesa, defendendo que ela seria provavelmente moçárabe (cristã ibérica de rito moçárabe). Algumas genealogias mencionam ainda possível ascendência judaica sefardita. Devido à escassez de fontes contemporâneas e à mistura populacional típica do Algarve no período da Reconquista, sua identidade exata permanece incerta, sendo mais seguro considerá-la de origem local ibérica com influências culturais muçulmanas. Até o presente ano de 2026, não há documentos que confirmem se Mourana Gil era judia ou muçulmana.

Geração A9 – 8.º Avós de Antônio de Mariz

Dom Martim Afonso O Chichorro

(c. 1250 – c. 1313)

Inez Lourenço de Sousa

(c. 1260 – ?)

Fontes:

  • GAYO, Felgueiras. Nobiliário de Famílias de Portugal. Tomo SOUZAS, § 66 N14, p. 69-70. Visualize aqui.
  • GOIS, Damião de. Livro de Linhagens de Portugal. Manuscrito. Cópia dos séculos XVII-XVIII. Colecção Pombalina, Biblioteca Nacional de Portugal, Lisboa, p. 126-verso. Este Livro é a copia verdadeira do original que está na Torre do Tombo. Visualize aqui.
  • SOUSA, António Caetano de. Historia genealogica da Casa Real Portugueza. Tomo XII, Parte II. Livro XIV, parte III, capítulos 1 e 2. O livro XIV do Tomo XII-Parte II reconta a descendência de Martim Afonso O Chicorro em sua grande parte. Visualize aqui.

Parte II – Descendência de Antônio de Mariz (D1 a D8)

A partir de Antônio de Mariz, a linhagem desce através de sucessivas gerações no Rio de Janeiro colonial, até alcançar a região de Minas Gerais e conectar-se à família Gontijo. A reconstrução baseia-se em fontes primárias como a Nobiliarquia Fluminense de Macedo Soares e as Primeiras Famílias do Rio de Janeiro de Carlos G. Rheingantz.

Geração D1: Diogo de Mariz Loureiro (c. 1568 – c. 1624) e Paula Rangel de Macedo (c. 1575 – 1624)

Diogo de Mariz Loureiro, filho de Antônio de Mariz e Isabel Velho, deu continuidade à linhagem no Rio de Janeiro. Casou-se com Paula Rangel de Macedo, unindo as famílias Mariz e Rangel.

Fontes documentais, como a Nobiliarquia Fluminense de Macedo Soares e as Primeiras Famílias do Rio de Janeiro de Carlos G. Rheingantz, confirmam esta filiação. Segundo Vivaldo Coaracy, Diogo de Mariz Loureiro era filho de Antônio de Mariz.

Geração D1 – Filho de Antônio de Mariz

Diogo de Mariz Loureiro

(c. 1568 – c. 1624, RJ)

Paula Rangel de Macedo

(c. 1575 – 1624, RJ)

Fontes:

  • MACEDO SOARES, Antônio Joaquim de. Nobiliarquia Fluminense. Niterói: Imprensa Estadual, 1947. Pgs. 18-19. Visualize aqui.
  • RHEINGANTZ, Carlos G. Primeiras Famílias do Rio de Janeiro. Tomo II, pg. 519. Visualize aqui.

Geração D2: Maria de Mariz (c. 1594 – 1672) e João Gomes da Silva Sandoval (1582 – 1640)

Maria de Mariz, filha de Diogo de Mariz Loureiro e Paula Rangel de Macedo, casou-se com João Gomes da Silva Sandoval. Conhecida como D.ª Maria Gomes da Silva Sandoval, perpetuou a linhagem dos Mariz através de sua descendência.

Seu falecimento está registrado em 22 de julho de 1672, no Rio de Janeiro, conforme documentado na Nobiliarquia Fluminense.

Geração D2 – Filha de Diogo de Mariz Loureiro

Maria de Mariz

(c. 1594 – 22/07/1672)

João Gomes da Silva Sandoval

(c. 1582 – 1640)

Fontes:

  • MACEDO SOARES, Antônio Joaquim de. Nobiliarquia Fluminense. Niterói: Imprensa Estadual, 1947. Pgs. 18-19. Visualize aqui.
  • RHEINGANTZ, Carlos G. Primeiras Famílias do Rio de Janeiro. Tomo II, pg. 519. Visualize aqui.

Geração D3: Paula Rangel de Macedo (c. 1628 – 1668) e Marcos de Azeredo Coutinho e Melo (1619 – 1680)

Paula Rangel de Macedo, filha de Maria de Mariz e João Gomes da Silva Sandoval, casou-se com Marcos de Azeredo Coutinho e Melo. Esta união deu origem ao ramo dos Azeredo Coutinho, que mais tarde se estabeleceria em Minas Gerais.

Seu falecimento está registrado em 17 de junho de 1668, na Freguesia do Santíssimo Sacramento, Rio de Janeiro.

Geração D3 – Filha de Maria de Mariz

Paula Rangel de Macedo

(c. 1628 – 17/06/1668, RJ)

Marcos de Azeredo Coutinho e Melo

(c. 1619 – 1680)

Fontes:

  • RHEINGANTZ, Carlos G. Primeiras Famílias do Rio de Janeiro. Tomo I, ps. 143-170 (vide pg. 145). Visualize aqui.

Geração D4: Paula Rangel de Macedo, filha (c. 1650 – c. 1700) e Domingos Pereira da Silva (c. 1630 – 1698)

Paula Rangel de Macedo (filha), também filha de Marcos de Azeredo Coutinho e Melo e Paula Rangel de Macedo, casou-se com Domingos Pereira da Silva, natural de Lisboa, que veio para o Brasil como Capitão de Infantaria.

Esta união é confirmada por Albano da Silveira Pinto na Resenha das Famílias Titulares e Grandes de Portugal, que cita: "Clemente Pereira de Azevedo Coutinho, acima, era filho de Domingos Pereira da Silva, natural de Lisboa, d'onde foi para o Brazil como Capitão de Infantaria, e já casado cora D. Paula Rangel Coutinho de Azevedo, filha de Marcos de Azevedo Coutinho e Mello".

Geração D4 – Filha de Marcos de Azeredo Coutinho e Melo

Paula Rangel de Macedo (filha)

(c. 1650 – c. 1700)

Domingos Pereira da Silva

(c. 1630 – 1698)

Fontes:

  • RHEINGANTZ, Carlos G. Primeiras Famílias do Rio de Janeiro. Tomo I, ps. 143-170 (vide pg. 146). Visualize aqui.
  • PINTO, Albano da Silveira. Resenha das famílias titulares e grandes de Portugal. Lisboa, 1883. Tomo II, p. 58. Visualize aqui.

Geração D5: Clemente Pereira de Azeredo Coutinho (c. 1673 – c. 1739) e Helena de Andrade Souto Maior (c. 1666 - 1739)

Clemente Pereira de Azeredo Coutinho, filho de Domingos Pereira da Silva e Paula Rangel de Macedo, nasceu em 23 de outubro de 1673, no Rio de Janeiro. Casou-se com Helena de Andrade Souto Maior, dando continuidade ao ramo dos Azeredo Coutinho.

Sua linhagem está documentada na Nobiliarquia Fluminense e nas Primeiras Famílias do Rio de Janeiro. Faleceu por volta de 1739, em Itaúna, São Gonçalo, Rio de Janeiro.

Geração D5 – Filho de Domingos Pereira da Silva

Clemente Pereira de Azeredo Coutinho

(23/10/1673 – c. 1739)

Helena de Andrade Souto Maior

(c. 1666 - 1739)

Fontes:

  • GUIMARÃES, José. As Três Ilhoas. Volume I, p. 170/171. Ouro Fino, 1990. Visualize aqui.
  • RHEINGANTZ, Carlos G. Primeiras Famílias do Rio de Janeiro. Tomo I, ps. 143-170 (vide pg. 146). Visualize aqui.
  • PINTO, Albano da Silveira. Resenha das famílias titulares e grandes de Portugal. Lisboa, 1883. Tomo II, p. 58. Visualize aqui.

Geração D6: Paula Rangel de Azeredo Coutinho (c. 1701 – 1757) e Lourenço de Oliveira Barcelos (c. 1678 – 1747)

Paula Rangel de Azeredo Coutinho, filha de Clemente Pereira de Azeredo Coutinho e Helena de Andrade Souto Maior, nasceu por volta de 1701, no Rio de Janeiro. Casou-se com Lourenço de Oliveira Barcelos, com quem teve descendência que se estabeleceu em Minas Gerais.

É mencionada no testamento de seu marido, datado de 30 de setembro de 1747, em Raposos, Minas Gerais, e faleceu em 2 de maio de 1757, também em Raposos.

Geração D6 – Filha de Clemente Pereira de Azeredo Coutinho

Paula Rangel de Azeredo Coutinho

(c. 1701 – 02/05/1757)

Lourenço de Oliveira Barcelos

(c. 1678 – 1747)

Fontes:

  • GUIMARÃES, José. As Três Ilhoas. Volume I, p. 170/171. Ouro Fino, 1990. Visualize aqui.

Geração D7: Perpétua Antônia de Azeredo Coutinho (1734 – 1771) e José de Freitas Pacheco (c. 1721 – 1775)

Perpétua Antônia de Azeredo Coutinho, filha de Paula Rangel de Azeredo Coutinho e Lourenço de Oliveira Barcelos, nasceu em 16 de outubro de 1734, em Raposos, Minas Gerais. Casou-se com José de Freitas Pacheco, dando continuidade à linhagem em Minas Gerais.

É mencionada na coletânea As Três Ilhoas de José Guimarães e faleceu em 21 de julho de 1771, em Sabará, Minas Gerais.

Geração D7 – Filha de Lourenço de Oliveira Barcelos

Perpétua Antônia de Azeredo Coutinho

(16/10/1734 – 21/07/1771

José de Freitas Pacheco

(c. 1721 – 1775)

Fontes:

  • GUIMARÃES, José. As Três Ilhoas. Volume I, p. 170/171. Ouro Fino, 1990. Visualize aqui.

Geração D8: João de Freitas Pacheco de Azeredo Coutinho (c. 1770 – 1827) e Francisca Ignácia de Jesus (c. 1779 – ?)

João de Freitas Pacheco de Azeredo Coutinho, filho de Perpétua Antônia de Azeredo Coutinho e José de Freitas Pacheco, nasceu por volta de 1770, em Sabará, Minas Gerais. Foi Capitão e teve atuação política relevante, tendo votado na eleição da 1ª Junta do Governo Provisório de Minas Gerais em 1821.

Casou-se com Francisca Ignácia de Jesus. Faleceu em 8 de julho de 1827, em Caldas, Minas Gerais. Seu testamento, datado de 1827, é uma fonte fundamental para a genealogia deste ramo.

Geração D8 – Filho de José de Freitas Pacheco

João de Freitas Pacheco de Azeredo Coutinho

(c. 1770 – 08/07/1827)

Francisca Ignácia de Jesus

(c. 1779 – ?)

Fontes:

  • GUIMARÃES, José. As Três Ilhoas. Volume I, p. 170/171. Ouro Fino, 1990. Visualize aqui.
  • Testamento de João de Freitas Pacheco de Azeredo Coutinho (1827) – Paróquia de Nossa Senhora do Patrocínio, Caldas-MG.
  • Ata de Eleição da 1ª Junta do Governo Provisório de Minas Gerais (1821) – Visualize aqui.

↳ A descendência continua no Ramo Francisca de Paula Azeredo Coutinho

Francisca de Paula Azeredo Coutinho, filha de João de Freitas Pacheco de Azeredo Coutinho, é o elo que conecta esta linhagem à família Gontijo em Formiga, Minas Gerais.

Visite aqui o Ramo Francisca de Paula Azeredo Coutinho →

Fontes Primárias e Bibliografia