Tronco João Lopes de Elvas (1548-1624)

Linhagem de cristãos-novos portugueses perseguidos pela Inquisição que se estabeleceram em São Paulo e Minas Gerais, contribuindo para a colonização e a mineração aurífera. Reconstrução baseada em registros paroquiais, inventários, teses acadêmicas e genealogias paulistanas. Linhagem sujeita a alterações constantes.

Nota Histórica e Genealógica

Este registro cumpre um papel meramente genealógico e histórico, destinado exclusivamente à salvaguarda da memória de uma linhagem ancestral. Gostaria de deixar claro que o conteúdo aqui apresentado não possui qualquer finalidade de estreitamento de vínculos com o Estado português. Dado o histórico desse país em perpetrar crimes contra a humanidade, considero moralmente questionável e profundamente contraproducente qualquer tentativa de legitimação ou aproximação com tal entidade. É imperativo pontuar que Portugal perpetrou crimes sistemáticos contra a humanidade ao perseguir e brutalizar populações indígenas, africanos escravizados e judeus — com especial ênfase na comunidade sefardita. Tal política de terror resultou no esfacelamento de ricas culturas e na expulsão compulsória ou fuga desesperada dos sobreviventes daquela perseguição religiosa e racial. Ademais, é necessário desnudar a verdadeira essência da relação entre a metrópole e o território brasileiro: sob a fachada de um suposto "projeto civilizatório", Portugal instaurou um esquema de predação extrativista. A Coroa operou como um parasita estatal, drenando riquezas e exaurindo recursos naturais de forma implacável, enquanto impunha um subdesenvolvimento forçado ao impedir qualquer avanço industrial, educacional ou de infraestrutura local. O Brasil foi tratado como um mero estoque de mercadorias a ser exaurido. A transferência da Corte para o Rio de Janeiro em 1808 não passou de uma manobra egoísta de sobrevivência da monarquia, desprovida de qualquer benevolência, mas que serviu para evidenciar a falência absoluta do modelo colonial e acelerar a ruptura política consolidada em 1822. Um brasileiro jamais deveria buscar qualquer tipo de vínculo com tal parasita, mas sim demonstrar-lhe, através da preservação de sua própria história e memória, o seu devido desprezo.

A Linhagem de João Lopes de Elvas: Cristãos-Novos, Perseguição e Sobrevivência no Brasil Colonial

A história desta família entrelaça-se profundamente com as tribulações dos cristãos-novos na Península Ibérica e sua contribuição para a formação da sociedade colonial brasileira, especialmente em São Paulo e Minas Gerais. Originária de Portugal, a linhagem enfrentou a vigilância do Santo Ofício da Inquisição, mas demonstrou notável resiliência, com descendentes que se integraram à vida econômica, militar e social do Brasil.

Geração 1: João Lopes de Elvas (séc. XVI – inícios do XVII)

João Lopes de Elvas, também conhecido como João do Óculo por usar lentes, foi um mercador cristão-novo natural de Elvas, em Portugal. De origem judaico-sefardita, pertencia à comunidade de judeus convertidos à força que vivia sob constante vigilância e pressão da Inquisição portuguesa durante os séculos XVI e XVII.

João Lopes de Elvas (1º Processo): PORTUGAL. Tribunal do Santo Ofício. Processo de João Lopes de Elvas (n.º 2895). 1596. Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa. Visualize aqui em tela cheia.

Processado em duas ocasiões pelo Santo Ofício, seu primeiro processo ocorreu em 1596 (Processo Nº 2895) e o segundo em 1618 (Processo Nº 7421). Praticamente toda a sua família próxima foi atingida pela mesma onda de perseguição, o que reflete o clima de repressão sistemática dirigido aos cristãos-novos em Portugal. Entre os familiares processados destacam-se sua mãe, Isabel Lopes (Processo Nº 4177, 1560), seu irmão Diogo Fernandes de Elvas (Processo Nº 11527, 1618), seu filho Teotonio Gomes (Processo Nº 11436, 1618 – pendente) e sua filha Maria da Costa (Processo Nº 11992, 1618).

João Lopes de Elvas (2º Processo): PORTUGAL. Tribunal do Santo Ofício. Processo de João Lopes de Elvas (n.º 7421). 1618. Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa. Visualize aqui em tela cheia.

Casado com Inês Álvares, de origem familiar desconhecida, João Lopes de Elvas teve ao menos sete filhos. Essa informação consta de uma declaração registrada nas páginas 128 a 132 (imagens 128–132) de seu segundo processo inquisitorial (Processo Nº 7421 do Tribunal do Santo Ofício da Inquisição de Lisboa), documento que também menciona o nome de suas duas esposas e dos sete filhos. Preso em 3 de maio de 1618 pela Inquisição de Évora, João foi considerado, no decorrer do processo, “sem juízo e incapaz”. Em 3 de maio de 1622, a Mesa do Conselho Geral entregou-o a um parente sob fiança de duzentos cruzados, com a obrigação de prestar informações mensais sobre seu estado de saúde.

Sua trajetória ilustra bem o contexto das comunidades sefarditas que, entre os séculos XV e XVII, migraram entre Portugal e o Brasil, período em que se destacaram importantes figuras como os bandeirantes Raposo Tavares e Diogo Tavares.

Geração 2: Maria da Costa e Fernão Vieira Tavares

Maria da Costa (n. ca. 1584, Évora/Beja, Portugal) foi uma cristã-nova de origem judaico-sefardita, filha de João Lopes de Elvas (conhecido como “João do Óculo”) e de Inês Álvares. Sua vida exemplifica dramaticamente as perseguições inquisitoriais contra as famílias de cristãos-novos em Portugal e o posterior deslocamento de muitos deles para o Brasil colonial, onde buscaram refúgio e reconstrução.

Maria da Costa (filha de João Lopes de Elvas): PORTUGAL. Tribunal do Santo Ofício. Processo de Maria da Costa (n.º 11992). 1618. Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa. Visualize aqui em tela cheia.

Casada duas vezes, Maria da Costa teve geração de ambos os matrimônios. Viúva do primeiro marido, contraiu segundas núpcias com Fernão Vieira Tavares, também viúvo, natural da região do Alentejo. Do casal nasceram pelo menos três filhos, entre eles o Capitão Diogo da Costa Tavares. Fernão, por sua vez, teve do primeiro casamento o célebre sertanista e bandeirante Antônio Raposo Tavares, tornando Maria da Costa madrasta de uma das figuras mais emblemáticas da expansão paulista.

Fernão Vieira Tavares atuou em Portugal como Juiz de Órfãos e Tesoureiro da Bula da Cruzada em Beja. Partidário de D. António, Prior de Crato, nas crises sucessórias de 1580 e 1589, migrou para o Brasil antes de 1618, inicialmente fixando-se na Bahia de Todos os Santos, onde exerceu o cargo de Contador-mor. Posteriormente transferiu-se para a Capitania de São Vicente (por volta de 1622), onde foi nomeado Capitão-mor, Governador, Ouvidor e Provedor da Fazenda Real da Capitania de São Vicente e São Paulo. Mandou chamar o filho Diogo de Portugal por volta de 1638. Faleceu no Brasil, deixando descendência de ambos os casamentos.

Em 1618, Maria da Costa foi presa pela Inquisição de Lisboa, junto com vários membros de sua família (incluindo o pai João Lopes de Elvas). Acusada de práticas judaizantes, seu processo revela um cotidiano marcado por denúncias de vizinhos e familiares, interrogatórios rigorosos e uma defesa corajosa. Durante os autos, ela solicitou licença para viajar ao Brasil, alegando que o marido Fernão estava doente na Bahia (notícia de 16 de fevereiro de 1618) e que precisava reunir-se aos filhos e enteados. A licença foi negada. Permaneceu encarcerada por seis anos, sendo libertada apenas em 1624 após abjurar em auto-da-fé. Frustrada em sua tentativa de fuga para o Brasil, nunca mais reencontrou o marido e os filhos, que já se encontravam estabelecidos na colônia. Faleceu em Portugal.

Sua trajetória e a de sua família ilustram o drama dos cristãos-novos portugueses nos séculos XVI e XVII: perseguição sistemática em Portugal e migração forçada para o Brasil, onde muitos se integraram às elites locais, participando ativamente da expansão territorial, da mineração e da formação da sociedade paulista. A memória de Maria da Costa, de Fernão Vieira Tavares e de seus descendentes (notadamente a linhagem Tavares/Raposo Tavares) permanece registrada nos processos inquisitoriais e na genealogia das famílias paulistas.

Fonte principal:
BOGACIOVAS, Marcelo Meira do Amaral. Tribulações do Povo de Israel na São Paulo Colonial. Dissertação de Mestrado, Universidade de São Paulo, 2006.

Geração 3: Capitão Diogo da Costa Tavares (n. ca. 1614, Beja) e Maria Bicudo

Diogo da Costa Tavares, meio-irmão do famoso bandeirante Antônio Raposo Tavares, nasceu por volta de 1605. Filho de Fernão Vieira Tavares e de Maria da Costa (filha de João Lopes de Elvas e Inês Álvares), veio para o Brasil por volta de 1638, a chamado do pai, que já se encontrava na colônia havia cerca de vinte anos.

IGREJA CATÓLICA. Documento avulso referente a Diogo da Costa Tavares. O registro ratifica a filiação de Diogo como sendo de Maria da Costa e Fernão Vieira Tavares. Visualize aqui em tela cheia.

Nomeado Capitão, Diogo da Costa Tavares serviu os “honrosos cargos da república”. Participou da expedição organizada para restaurar Pernambuco, então ocupado pelos holandeses. Embarcando em Santos com destino à Bahia, chegou a Pernambuco em 1640, retornando por terra a São Paulo. Da mesma expedição participou seu meio-irmão Antônio Raposo Tavares. Posteriormente estabeleceu-se em seu sítio às margens do Rio Cotia, onde faleceu em 1659.

Casou-se duas vezes, com geração numerosa e influente em ambos os matrimônios. A primeira esposa foi Maria Bicudo (ou Maria Bicudo, a Filha), filha do Capitão Manuel Pires e de Maria Bicudo (Carneiro). Deste casamento nasceram oito filhos. Após a morte de Maria Bicudo, Diogo contraiu segundas núpcias com Catarina de Lemos (ou Catharina de Lemos), filha de Margarida Ferroa, com quem teve mais sete filhos.

Sua descendência foi ampla e de grande importância na Capitania de São Paulo, contribuindo para a formação de várias linhagens paulistas tradicionais. Entre os filhos do primeiro casamento destacam-se:

Maria Bicudo Tavares, casada com Diogo de Sousa Lima;
Fernão Bicudo Tavares, casado com Maria Martins;
Anna Bicudo Tavares, casada com Manoel da Cunha;
Isabel da Costa Tavares, casada com Simão Borges de Cerqueira;
Diogo da Costa Tavares (o moço), casado com Anna Rodrigues Cabral e depois com Maria Leite do Prado;
• Capitão Antonio Vieira Tavares, casado com Maria Leite e depois com Josefa de Almeida;
Catharina Bicudo Tavares, casada com o Capitão Salvador Ambrósio;
Maria de Mendonça Tavares, casada com Domingos Gonçalves e depois com Pedro Martins Pereira.

Do segundo casamento nasceram, entre outros:

Garcia de Lemos;
Beatriz de Lemos;
Paschoal Tavares;
Francisco Vieira Tavares, casado com Mécia da Cunha Lobo.

A trajetória de Diogo da Costa Tavares ilustra bem o papel das famílias de cristãos-novos e seus descendentes na defesa e expansão da Capitania de São Paulo no século XVII, especialmente durante os conflitos contra as invasões holandesas. Seu registro paroquial confirma explicitamente sua filiação a Maria da Costa e Fernão Vieira Tavares.

Fontes principais:
SILVA LEME, Luís Gonzaga da. Genealogia paulistana, especialmente Vol. II (Leme), Vol. III (Borges de Cerqueira), Vol. IV (Almeida Castanho), Vol. V (Cunha Gago) e Vol. VI (Bicudo).
Registro paroquial de família (Arquivo Eclesiástico) atestando a filiação de Diogo da Costa Tavares a Maria da Costa e Fernão Vieira Tavares.

Geração 4: Maria Bicudo Tavares e Diogo de Sousa Lima

Maria Bicudo Tavares, filha do Capitão Diogo da Costa Tavares e de Maria Bicudo (a Filha), nasceu em São Paulo no século XVII. Era neta paterna de Fernão Vieira Tavares e da cristã-nova Maria da Costa (filha de João Lopes de Elvas, o “João do Óculo”, e Inês Álvares), e neta materna do Capitão Manuel Pires e de Maria Bicudo (Carneiro). Sua linhagem materna liga-se a importantes famílias paulistas tradicionais, enquanto a paterna carrega a herança dos cristãos-novos perseguidos pela Inquisição portuguesa.

Casou-se por volta de 1665, em Santana de Parnaíba, com Diogo de Sousa Lima, natural de Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, nos Açores, Portugal, que faleceu em 1681. O casal estabeleceu-se na região de Santana de Parnaíba e teve numerosa descendência, entre a qual destaca-se Maria de Sousa, que continuou a propagar esta linhagem nas famílias paulistas.

Maria Bicudo Tavares pertence à primeira geração nascida no Brasil de uma família marcada pela migração forçada. Seu pai, Diogo da Costa Tavares, meio-irmão do bandeirante Antônio Raposo Tavares, veio de Portugal por volta de 1638, participou da expedição de restauração de Pernambuco contra os holandeses (1640) e faleceu em Cotia em 1659. A ascendência cristã-nova de Maria Bicudo Tavares, por via da avó paterna Maria da Costa (penitenciada pela Inquisição em 1624), insere-a no contexto das famílias que, apesar da perseguição religiosa em Portugal, contribuíram significativamente para a ocupação e defesa da Capitania de São Paulo.

Sua união com Diogo de Sousa Lima reforça as conexões entre os açorianos e as famílias de origem portuguesa estabelecidas em São Paulo, fortalecendo as redes sociais e genealógicas da capitania no final do século XVII. A descendência deste casal integrou-se às elites locais, participando da vida administrativa, militar e religiosa da região.

Esta linhagem ilustra a complexa integração dos descendentes de cristãos-novos na sociedade paulista colonial, onde muitos “apagaram” ou dissimularam suas origens judaicas para ascender socialmente, ao mesmo tempo em que mantinham forte presença nas frentes de expansão territorial.

Fontes principais:
SILVA LEME, Luís Gonzaga da. Genealogia paulistana. Vol. VI (Bicudo), p. 450.
PAES LEME, Pedro Taques de Almeida. Nobiliarquia paulistana histórica e genealógica. Vol. III, p. 183.
BOGACIOVAS, Marcelo Meira do Amaral. Tribulações do povo de Israel na São Paulo colonial. Dissertação de Mestrado, USP, 2006.

Geração 5: Maria de Sousa e João Pereira Temudo

Maria de Sousa (ou Maria de Sousa Bicudo), natural de Santana de Parnaíba, foi filha de Diogo de Sousa Lima e de Maria Bicudo Tavares. Neta paterna de açorianos e neta materna do Capitão Diogo da Costa Tavares (meio-irmão de Antônio Raposo Tavares) e de Maria Bicudo, sua vida reflete as migrações e alianças familiares que marcaram a formação das elites paulistas no final do século XVII e início do XVIII.

Casou-se pela primeira vez em 1685, em Santana de Parnaíba, com Pedro Ferreira Raposo, natural da Ilha Terceira (Açores), filho de Pedro Ferreira e Felipa Pereira. O casal teve um filho único, Manoel (nascido por volta de 1686). Pedro Ferreira Raposo faleceu em 1688 na Bahia de Todos os Santos, onde deixou testamento. Foi inventariado em Santana de Parnaíba em 1690, ocasião em que Maria de Sousa aparece como viúva e curadora do filho menor, inicialmente com a avó materna Maria Bicudo Tavares.

Viúva, Maria de Sousa casou-se em segundas núpcias com João Pereira Temudo (ou João Pereira Themudo), filho de Antônio Pereira Temudo e Isabel Ribeira, naturais de Santana de Parnaíba. O registro de casamento colateral de João (viúvo de Maria de Sousa) com Mariana Paes, em Itu (21 de janeiro de 1728), confirma explicitamente a filiação: “filha de Diogo de Souza e de sua mulher Maria Bicuda Tavares”. Deste segundo matrimônio nasceram vários filhos, entre eles Pedro de Sousa Lima, Isabel Ribeiro de Lima, João Pereira de Sousa Magalhães e Francisco Pereira Themudo.

IGREJA CATÓLICA. Assento de casamento de João Pereira Temudo e Mariana Paes. 1774.
(Nota: O registro especifica que o nubente, João Pereira Temudo, era viúvo de Maria de Sousa, filha de Diogo de Souza e Maria Bicuda Tavares; embora se trate de uma linhagem colateral, a informação é crucial para a delimitação do grupo familiar estudado). Visualize aqui em tela cheia.

Pelo menos três filhos do casal transferiram-se para as Minas Gerais, tornando-se pioneiros em Barbacena e Baependi. Destaca-se especialmente Isabel Ribeiro de Lima, que se casou com Lourenço Garcia Fontoura, ligando esta linhagem à genealogia mineira estudada por Márcio Oliveira Macedo. Francisco Pereira Themudo permaneceu em São Paulo, enquanto outros ramos contribuíram para a ocupação do interior paulista e mineiro.

A trajetória de Maria de Sousa exemplifica a mobilidade das famílias paulistas, as segundas núpcias frequentes devido à alta mortalidade e a importância das alianças matrimoniais na consolidação de patrimônios e redes sociais na Capitania de São Paulo.

Fontes principais:
BOGACIOVAS, Marcelo Meira do Amaral. Tribulações do povo de Israel na São Paulo colonial. São Paulo: USP, 2006.
MACEDO, Márcio Oliveira. Árvore de costado Lourenço Garcia Fontoura. Revista da ASBRAP, São Paulo, n. 30, 2023.
PAES LEME, Pedro Taques de Almeida. Nobiliarquia paulistana histórica e genealógica. São Paulo: Edusp/Itatiaia, 1980.
SILVA LEME, Luís Gonzaga da. Genealogia paulistana. São Paulo: Duprat & Comp., 1903-1905. 9 volumes.

Geração 6: Isabel Ribeiro de Lima e Lourenço Garcia Fontoura

Isabel Ribeiro de Lima (bat. 28 de março de 1695, Itu-SP) foi filha de João Pereira Temudo (ou João Pereira Themudo) e de Maria de Sousa Bicudo. Neta paterna de Antônio Pereira Temudo e Isabel Ribeira, e neta materna de Diogo de Sousa Lima e Maria Bicudo Tavares, pertence a uma linhagem paulistana com raízes em cristãos-novos e açorianos, que se expandiu para as Minas Gerais no século XVIII.

IGREJA CATÓLICA. Assento de batismo de Isabel Ribeiro de Lima. 1695. Visualize aqui em tela cheia.

Casou-se em 26 de novembro de 1718, na Freguesia de Santo Antônio da Vila de São José (atual Tiradentes-MG), com Lourenço Garcia Fontoura, natural da Freguesia de Cervães, Concelho de Vila Verde, Distrito de Braga, Portugal (bat. 15 de fevereiro de 1693). Lourenço migrou para o Brasil por volta de 1715 e destacou-se como minerador e inventor. Ele obteve patente e privilégio exclusivo por seis anos para fabricar uma roda inovadora para drenar águas das lavras auríferas, além do posto de Capitão Engenheiro (Livro de Patentes 1721/1725, Arquivo Público Mineiro). O casal residiu inicialmente em Tiradentes e posteriormente na região de Barroso/Barbacena-MG, onde Lourenço faleceu em 4 de outubro de 1734, vitimado por um raio.

Viúva, Isabel Ribeiro de Lima contraiu segundas núpcias com José Cardoso da Silva. Em 1753, aparece casada com ele em registros de batismo de netos. Teve numerosa descendência com Lourenço Garcia Fontoura, entre eles Ana Francisca, Isabel Francisca, Ambrósio Garcia Fontoura, Antônio Garcia Fontoura e Luzia Garcia, cujas alianças matrimoniais fortaleceram as redes familiares nas Minas Gerais.

O registro paroquial de batismo de Isabel, datado de 28 de março de 1695 em Itu, confirma explicitamente sua filiação: “Izabel inocente filha de João Pereira e de sua mulher Maria de Souza”, com padrinhos Francisco Pereira e Izabel da Costa. Sua trajetória ilustra a migração de famílias paulistas para o ouro das Minas Gerais e a consolidação de linhagens mineiras no século XVIII.

Fontes principais:
Márcio Oliveira Macedo, “Árvore de Costado Lourenço Garcia Fontoura”, Revista ASBRAP n.º 30.
Registro paroquial de batismo de Isabel Ribeiro de Lima (28/03/1695, Itu-SP).
Livro de Patentes 1721/1725, Arquivo Público Mineiro (invenção e patente de Lourenço Garcia Fontoura).
Processos de habilitação ao sacerdócio de netos (Antonio de Faria Moreira e Francisco Xavier Moreira).

Geração 7: Ambrósio Garcia Fontoura e Anna Maria de Jesus de Araújo

Ambrósio Garcia Fontoura, batizado em 1748 na Freguesia de Santo Antônio da Vila de São José (atual Tiradentes-MG), foi filho de Lourenço Garcia Fontoura e de Isabel Ribeiro de Lima. Nascido em pleno período de expansão das Minas Gerais, integrou a segunda geração de sua família estabelecida na capitania, contribuindo para o povoamento e o desenvolvimento da região de Borda do Campo (atual Barbacena) e arredores.

IGREJA CATÓLICA. Assento de batismo de Ambrósio Garcia. 1748. Barbacena.
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Casou-se em 8 de julho de 1748, na capela de Nossa Senhora da Ajuda do Faria, filial da matriz de Nossa Senhora da Piedade da Borda do Campo (Barbacena-MG), com Anna Maria de Jesus de Araújo (ou Ana Maria de Araújo), filha de José de Araújo e de Josefa da Costa. O registro paroquial confirma explicitamente sua filiação paterna a Lourenço Garcia Fontoura.

Ambrósio e sua esposa integraram-se à sociedade local, formando uma das ramificações importantes da linhagem Fontoura nas Minas Gerais. Sua descendência contribuiu para o fortalecimento das famílias mineiras no século XVIII, especialmente nas regiões de Barbacena e arredores, onde a família paterna se estabeleceu após a migração de Lourenço Garcia Fontoura de Portugal.

A trajetória de Ambrósio Garcia Fontoura exemplifica o processo de enraizamento das famílias paulistas e portuguesas nas Minas Gerais durante o ciclo do ouro, com alianças matrimoniais que consolidaram patrimônios e redes sociais na capitania.

Fontes principais:
Márcio Oliveira Macedo, “Árvore de Costado Lourenço Garcia Fontoura”, Revista da ASBRAP n.º 30, p. 108.
Registros paroquiais de casamentos da capela de Nossa Senhora da Ajuda do Faria (1748), Arquivo Eclesiástico da Arquidiocese de Mariana.

Geração 8: Francisca Ignácia de Jesus e Manoel Francisco Lima

Francisca Ignácia de Jesus, batizada em Barbacena, Minas Gerais, em 1757, era filha de Ambrósio Garcia Fontoura e Ana Maria de Araújo, integrantes de famílias estabelecidas na região da antiga Freguesia de Nossa Senhora da Piedade da Borda do Campo. Embora os registros paroquiais apresentem pequenas variações na grafia de seu nome, sua identificação é confirmada pela coincidência dos nomes de seus pais tanto no assento de batismo quanto no registro de casamento. Essa documentação permite acompanhar com segurança sua trajetória familiar e sua inserção em uma das mais antigas linhagens formadas durante o período colonial mineiro.

IGREJA CATÓLICA. Assento de batismo de Francisca de Araujo Garcia Fontoura. 1757. Barbacena. Visualize aqui em tela cheia.

Em 20 de maio de 1774, na freguesia de Nossa Senhora da Ponte, em Sorocaba, São Paulo, Francisca casou-se com Manoel Francisco Lima. O assento matrimonial possui especial relevância genealógica por registrar os nomes dos pais de ambos os cônjuges, permitindo confirmar a identidade da noiva apesar das variações nominais encontradas em documentos da época. Manoel era filho de Manoel Machado Pestana e Ana Francisca, enquanto Francisca era filha de Ambrósio Garcia Fontoura e Ana Maria de Araújo. A união representa o encontro de duas famílias que participaram da ocupação e consolidação das primeiras comunidades do interior das Minas Gerais durante o século XVIII.

IGREJA CATÓLICA. Assento de casamento de Manuel Lima e Francisca de Jesus. 1774. Barbacena. Visualize aqui em tela cheia.

O registro de batismo de Manoel Francisco Lima, realizado em 29 de setembro de 1749, na Capela de São José do Ribeirão, atual município de Alfredo Vasconcelos, preserva informações valiosas sobre as gerações anteriores da família. Nele são identificados seus avós paternos, João Machado Pestana e Ana Pereira Maciel, e seus avós maternos, Lourenço Garcia Fontoura e Isabel Ribeiro. Lourenço Garcia Fontoura, natural da região de Braga, em Portugal, estabeleceu-se em Minas Gerais nas primeiras décadas do século XVIII, tornando-se uma figura de destaque local ao receber privilégio oficial para a exploração de um invento destinado ao esgotamento de águas nas lavras de mineração, sendo também agraciado com o título de Capitão Engenheiro. Por meio do casamento de Francisca Ignácia de Jesus e Manoel Francisco Lima, perpetuaram-se linhagens que contribuíram para a formação histórica e social das primeiras gerações mineiras.

IGREJA CATÓLICA. Assento de batismo de Manoel Francisco Lima. 1749. Resaquinha.
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Geração 9: Luiz Gonçalves Lima e Ana Joaquina Savedra Gomides

Luiz Gonçalves Lima nasceu por volta de 1787 ou 1788 em Barbacena, Minas Gerais, filho de Manoel Francisco Lima e Francisca Ignácia de Jesus. Seu batismo foi registrado em 1788, período em que Minas Gerais ainda integrava a estrutura administrativa do Brasil Colonial. Casou-se com Ana Joaquina Savedra Gomides, formando uma família numerosa da qual nasceram pelo menos sete filhos conhecidos. Entre seus descendentes estava Maria Luísa Firmina, cuja filiação é confirmada pelo inventário de Luiz Gonçalves Lima, documento que constitui importante fonte para a reconstrução da história familiar do casal.

IGREJA CATÓLICA. Assento de batismo de Luiz Gonçalves Lima. 1788. Barbacena.
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Ao longo de sua vida, Luiz Gonçalves Lima esteve ligado a uma família que alcançou relevância social e política em sua época. Seu filho Felisbino Antônio de Lima exerceu o cargo de Juiz de Paz na então Vila Franca do Imperador, atual Franca, em São Paulo. Um relato histórico sobre os acontecimentos políticos da localidade durante o período imperial menciona Luiz Gonçalves de Lima como pai de Felisbino e personagem conhecido no contexto das disputas regionais. O episódio demonstra a influência exercida pela família Lima nos assuntos públicos da época e revela o ambiente político em que seus descendentes atuaram. Mais informações podem ser consultadas em Fonte Histórica – Luiz Gonçalves de Lima (Migalhas, 2006).

Os registros disponíveis indicam que, nos últimos anos de sua vida, Luiz Gonçalves Lima encontrava-se estabelecido em Formiga, Minas Gerais, onde faleceu em 24 de fevereiro de 1862, aos 76 anos de idade. Sua trajetória atravessou um período de profundas transformações na história do Brasil, desde os últimos anos do regime colonial até a consolidação do Império. Ao lado de sua esposa, Ana Joaquina Savedra Gomides, deixou uma extensa descendência cujos ramos familiares se espalharam por diversas regiões de Minas Gerais, preservando até os dias atuais a memória e o legado deste importante casal ancestral.

Fontes principais:
ARQUIVO ARQUIDIOCESANO DE MARIANA. Registro paroquial de batismo de Luiz Gonçalves Lima. Barbacena, 1788.
LIMA, Luiz Gonçalves. Inventário de Luiz Gonçalves Lima. 1862.

Geração 10: Maria Luísa Firmina de Lima e Carlos José Nogueira

Maria Luísa Firmina de Lima, filha de Luiz Gonçalves Lima, foi uma das representantes da família Lima estabelecida na região de Formiga durante o século XIX. Embora seus registros de nascimento e casamento ainda não tenham sido localizados, sua história pode ser reconstruída por meio de seu inventário post-mortem de 1872, documento que revela aspectos importantes de sua vida familiar e patrimonial. O inventário informa que Maria Luísa faleceu em 1870 e deixa claro seu papel como matriarca de uma numerosa família, registrando a existência de dez filhos oriundos de seu casamento com Carlos José Nogueira.

A união de Maria Luísa Firmina de Lima e Carlos José Nogueira deu origem a um dos mais importantes ramos desta genealogia. Entre seus descendentes encontra-se Alzira Amélia Nogueira, que posteriormente se casou com Américo Gontijo, estabelecendo a ligação entre as famílias Nogueira e Gontijo. Mesmo na ausência de registros paroquiais conhecidos, os documentos judiciais preservados demonstram que Maria Luísa exerceu papel fundamental na construção e continuidade da família, transmitindo patrimônio, tradições e vínculos familiares que alcançariam as gerações seguintes.

Seu esposo, Carlos José Nogueira, nasceu em Caldas-MG, por volta de 1825, filho de Joaquim Carlos Nogueira e Francisca de Paula Azevedo Coutinho. Destacou-se como influente negociante e capitão na região de Formiga, onde construiu sólida posição econômica e social. Faleceu aos 77 anos de idade, em 30 de dezembro de 1902, em sua residência localizada na Rua do Rosário, na cidade de Formiga-MG. Seu inventário de 1903 complementa as informações sobre a família e demonstra a continuidade do patrimônio acumulado ao longo de décadas.

Embora Carlos José tenha alcançado posição de destaque na sociedade formiguense, foi ao lado de Maria Luísa Firmina de Lima que constituiu a família responsável pela continuidade deste ramo genealógico. A história do casal representa a consolidação de uma linhagem que prosperou no centro-oeste mineiro e cuja descendência permaneceu presente na formação social e familiar da região. Os inventários preservados permitem não apenas conhecer seus bens e herdeiros, mas também resgatar a memória de uma família cuja influência ultrapassou gerações.

Fontes principais:
BRASIL. Comarca de Formiga (MG). Inventário de Maria Luísa Firmina de Lima (1872).
BRASIL. Comarca de Formiga (MG). Inventário de Carlos José Nogueira (1903).
CARTÓRIO DE REGISTRO CIVIL DE FORMIGA (MG). Certidão de Óbito de Carlos José Nogueira (1902).

Geração 1 – Portugal (séc. XVI/XVII)

João Lopes de Elvas

(Elvas, Portugal)

Inês Álvares

(c.c. João Lopes)
Geração 2

Maria da Costa

(c. 1584 – após 1624)

Fernão Vieira Tavares

(c.c. Maria da Costa)
Geração 3

Capitão Diogo da Costa Tavares

(c. 1614, Beja – São Paulo)

Maria Bicudo

(1ª esposa)
Geração 4

Maria Bicudo Tavares

(c.c. Diogo de Sousa Lima)

Diogo de Sousa Lima

(† 1681)
Geração 5

Maria de Sousa

(c.c. João Pereira Temudo)

João Pereira Temudo

(Itu-SP)
Geração 6 – Chegada às Minas

Isabel Ribeiro de Lima

(Itu, bat. 1695)

Lourenço Garcia Fontoura

(Cervães, bat. 1693 – Minas)
Geração 7

Ambrósio Garcia Fontoura

(Barbacena, bat. 1748)

Anna Maria de Jesus de Araújo

(c.c. Ambrósio)
Geração 8

Francisca Ignácia de Jesus

(Barbacena, bat. 1757)

Manoel Francisco Lima

(bat. 1749)
Geração 9

Luiz Gonçalves Lima

(Barbacena, bat. 1788)

Ana Joaquina Savedra Gomides

(c.c. Luiz)
Geração 10 – Conexão com os Nogueira
Maria Luísa Firmina de Lima casou-se com Carlos José Nogueira, unindo esta antiga linhagem cristã-nova à família Nogueira de Formiga-MG. Dela descende Alzira Amélia Nogueira, esposa de Américo Gontijo.

Maria Luísa Firmina de Lima

(Filha de Luiz Gonçalves Lima)

Carlos José Nogueira

(c. 1825–1902)

Principais Fontes Históricas e Documentais

Fontes Históricas e Bibliográficas

  • BOGACIOVAS, Marcelo Meira do Amaral. Tribulações do povo de Israel na São Paulo colonial. 2006. Dissertação (Mestrado em História) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006.
  • MACEDO, Márcio Oliveira. Árvore de costado: Lourenço Garcia Fontoura. Revista ASBRAP, São Paulo, n. 30, 2023.
  • SILVA LEME, Luís Gonzaga da. Genealogia paulistana. São Paulo: Duprat & Comp., 1903-1905. 9 v.
  • PAES LEME, Pedro Taques de Almeida. Nobiliarquia paulistana histórica e genealógica.

Certidões Civis Cartoriais

  • CARTÓRIO DE REGISTRO CIVIL DE FORMIGA-MG. Certidão de óbito de Carlos José Nogueira. Formiga, 1902.
  • FÓRUM DE FORMIGA-MG. INVENTÁRIO de Carlos José Nogueira. [S. l.: s. n.], 1903. 1 inventário.
  • FÓRUM DE FORMIGA-MG. INVENTÁRIO de Luiz Gonçalves Lima. [S. l.: s. n.], 1862. 1 inventário.
  • FÓRUM DE FORMIGA-MG. INVENTÁRIO de Maria Luísa Firmina de Lima. [S. l.: s. n.], 1872. 1 inventário.

Registros Paroquiais

  • IGREJA CATÓLICA. Documento avulso (ainda sob identificação) de Diogo da Costa Tavares.
  • IGREJA CATÓLICA. Assento de casamento de João Pereira Temudo e Mariana Paes (1774).
  • IGREJA CATÓLICA. Assento de batismo de Isabel Ribeiro de Lima (1695, Itu-SP).
  • IGREJA CATÓLICA. Assento de batismo de Ambrósio Garcia Fontoura (1748, Barbacena-MG).
  • IGREJA CATÓLICA. Assento de batismo de Francisca de Araujo Garcia Fontoura (1757, Barbacena-MG).
  • IGREJA CATÓLICA. Assento de casamento de Manoel Francisco Lima e Francisca Ignácia de Jesus (1774, Sorocaba-SP).
  • IGREJA CATÓLICA. Assento de batismo de Manoel Francisco Lima (1749, Resaquinha-MG).
  • IGREJA CATÓLICA. Assento de batismo de Luiz Gonçalves Lima (1788, Barbacena-MG).

Processos da Inquisição

  • PORTUGAL. Tribunal do Santo Ofício. Processo de João Lopes de Elvas (n.º 2895, 1596). Arquivo Nacional da Torre do Tombo.
  • PORTUGAL. Tribunal do Santo Ofício. Processo de João Lopes de Elvas (n.º 7421, 1618). Arquivo Nacional da Torre do Tombo.
  • PORTUGAL. Tribunal do Santo Ofício. Processo de Maria da Costa (n.º 11992, 1618). Arquivo Nacional da Torre do Tombo.