Ascendência do Ramo Nogueira-Gontijo

O presente estudo genealógico reconstrói a trajetória da Ascendência do Ramo Nogueira-Gontijo, uma densa jornada histórica e geográfica que atravessa mais de quatro séculos de formação da sociedade brasileira. A linha de sucessão direta documentada conecta as origens da colonização do planalto paulista à posterior consolidação de uma tradicional família no coração de Minas Gerais.

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Os Três Momentos da Ascendência Nogueira-Gontijo

A dinâmica desta ascendência pode ser sintetizada em três grandes momentos estruturais:

  • O Núcleo Quinhentista e a Nobreza da Terra (Gerações 1 a 6): A linhagem engendra-se a partir da união mameluca originária entre o Cacique Tibiriçá e o náufrago português João Ramalho. Através de um nó endogâmico que unificou o sangue nativo, a família consolidou-se na elite vicentina, conectando-se a figuras centrais da epopeia bandeirante, como o Capitão-Mor Amador Bueno da Veiga, "o Aclamado".
  • O Deslocamento Fluminense e as Rotas Coloniais (Gerações 7 a 11): Entre os séculos XVII e XVIII, com a introdução de oficiais militares e da aristocracia proprietária do Rio de Janeiro (como os ramos Rendon e Azeredo Coutinho), a família deslocou seu eixo geográfico em direção ao Vale do Paraíba, acompanhando o abastecimento do Caminho Novo.
  • A Fixação em Solo Mineiro e a Fusão Gontijo-Nogueira (Gerações 12 ao Epílogo): No início do século XIX, a linhagem estabelece raízes definitivas no sul e no oeste de Minas Gerais. A síntese dessa longa migração culmina no Capitão Carlos José Nogueira e, posteriormente, na união de sua neta com a família Gontijo na cidade de Formiga-MG, percurso amplamente respaldado por fontes paroquiais, cartoriais e pela bibliografia clássica de referência.

Referência: Esta linhagem está documentada na Genealogia Paulistana de Luiz Gonzaga da Silva Leme, na Nobiliarquia Fluminense de Macedo Soares, nas obras de Carlos G. Rheingantz sobre as primeiras famílias do Rio de Janeiro, e nos registros paroquiais e cartoriais da região de Caldas e Formiga-MG.

GERAÇÃO 1: O Cacique Tibiriçá (Martim Afonso) (1475-1562)

O tronco desta linhagem confunde-se com a própria fundação da Capitania de São Vicente e da vila de São Paulo de Piratininga. Tibiriçá — cujo nome indígena evoca a figura do "Vigia" ou "Sentinela" — era o principal chefe da nação Tupiniquim nos campos de Piratininga. Sua história é indissociável da própria gênese da cidade de São Paulo, que nasceu em 1554 com a formação do Colégio de São Paulo de Piratininga, erguido no planalto onde já viviam Tibiriçá e seu povo.

Aliado primordial dos colonizadores portugueses, foi batizado pelos jesuítas sob o nome cristão de Martim Afonso. Sua atuação foi decisiva na proteção do Colégio Jesuíta e na consolidação do povoamento colonial frente aos ataques de confederações indígenas rivais. Teve por esposa a índia Potira, posteriormente batizada como Maria.

A história da cidade de São Paulo desenvolve-se paralelamente à história do Brasil, ao longo de aproximadamente 455 anos de sua existência, contra os mais de quinhentos anos do país. Era uma cidade de difícil acesso, pois arriscava-se a vida para escalar a Serra do Mar, quase uma muralha natural. Os primeiros jesuítas fixaram-se num platô onde já viviam os caciques Tibiriçá e sua gente — local onde hoje se encontra o Mosteiro de São Bento. Terra fértil, de grande campo e muitos pinheiros, os inimigos não podiam chegar sem serem vistos.

Tibiriçá faleceu em 25 de dezembro de 1562, em São Paulo, vítima de uma das epidemias que assolavam as populações indígenas naquele período. Recebeu os últimos sacramentos ministrados pelo jesuíta Fernão Luiz. Seu sepultamento foi realizado com grande solenidade na capela onde mais tarde seria erguido o Mosteiro de São Bento. Posteriormente, seus restos mortais foram trasladados para a cripta da Catedral da Sé, em São Paulo, onde permanecem até hoje.

Cripta do Cacique Tibiriçá na Igreja Matriz de São Paulo
Imagem: Cripta do Cacique Tibiriçá, localizada na Catedral da Sé, em São Paulo.
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Nota Histórica: A Rivalidade Tupi-Guarani e Macro-Jê

Há uma questão histórica mal tratada pelos brasileiros e, na verdade, até ostensivamente desconhecida: os povos Tupi-Guarani e os falantes do tronco Macro-Jê eram, em sua maioria, adversários históricos. Os tupis dominaram o litoral, empurrando as populações macro-jês para o interior do planalto central. Essa inimizade ancestral foi mais tarde explorada pelos ocupadores portugueses como estratégia de dominação.

Em linhas gerais, os Tupi-Guarani habitavam a faixa litorânea que se estendia do atual Rio Grande do Sul até o Maranhão, enquanto os povos do tronco Macro-Jê ocupavam o planalto interior, notoriamente as regiões onde hoje se encontram os estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Bahia e partes do Nordeste.

As principais características dessa rivalidade incluem:

  • Disputa territorial: Os tupis, numerosos e expansivos, forçaram os macro-jês a se refugiarem nas áreas mais secas e no interior do continente.
  • Visão pejorativa: Os tupis chamavam os macro-jês de tapuias, que na língua tupi significa "os outros", "estrangeiros" ou "aqueles que falam uma língua incompreensível".
  • Choque cultural: Os tupis habitavam sobretudo o litoral, enquanto os macro-jês ocupavam o planalto brasileiro, baseando sua subsistência na caça, coleta e agricultura rudimentar.
  • Alianças exploradas: Devido às rivalidades antigas, durante o Brasil Colônia, os portugueses aproveitaram para se aliar aos tupis litorâneos e travar guerra contra as tribos tapuias (macro-jês).

Esta dinâmica não deve ser romantizada: a chamada "colonização" portuguesa foi, de fato, uma invasão. Não houve transferência de Estado ou civilização no sentido europeu do termo, mas sim imposição violenta, exploração e extermínio. Tampouco se trata de humanizar os jesuítas, os portugueses ou mesmo os Tupi-Guarani, mas sim de compreender, com rigor histórico, as complexas relações de poder que moldaram o território e as populações que nele viviam, e que em última análise tornaram possível a própria existência da linhagem aqui documentada.

Referência: Esta nota baseia-se em estudos de etno-história brasileira, incluindo as obras de John Monteiro (Negros da Terra), Manuela Carneiro da Cunha (História dos Índios no Brasil) e Carlos Fausto (Os Índios antes do Brasil), que documentam as rivalidades intertribais e seu papel na dinâmica colonial.

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O Testemunho de José de Anchieta sobre a Morte de Tibiriçá

Em 16 de abril de 1563, em carta dirigida ao Padre Diego Laynes, Superior da Companhia de Jesus, o inaciano José de Anchieta comunicou o falecimento do cacique Tibiriçá com palavras que revelam a profundidade do vínculo entre o líder indígena e os jesuítas:

"Morreu (...) o nosso principal, grande amigo e protetor Martim Afonso, o qual depois de se haver feito inimigo de seus próprios irmãos e parentes, por amor a Deus e da Sua Igreja, e depois de lhe haver dado Nosso Senhor a vitória sobre seus inimigos, estando ele com grandes propósitos e bem determinado a defender a causa dos Cristãos, e nossa Casa de S. Paulo, que bem conhecia ter sido edificada em sua terra por amor dele e de seus filhos, quis dar-lhe Deus o galardão de suas obras, dando-lhe uma doença de câmaras de sangue, na qual como não houvesse sinal de melhoria, mandou chamar um Padre que todos os dias o visitava e curava; confessou-se (...), fez seu testamento, e deixou recomendado à sua mulher e filhos que seguissem nossas palavras e doutrina. E no dia da Natividade de N. S. Jesus Cristo morreu, para nascer em vida de glória. Foi enterrado em nossa igreja, com muita honra, acompanhando-o todos os Cristãos Portugueses com a cera de sua confraria."

Anchieta prossegue, destacando o papel fundamental de Tibiriçá na fundação e consolidação da missão:

"Ficou toda a Capitania com grande sentimento de sua morte, pela falta que sentem (...) mais que todos creio que lhe devemos nós os da Companhia, e por isso determinou dar-lhe em conta não só de benfeitor, mas ainda de fundador e conservador da casa de Piratininga e de nossas vidas; porque havendo ele ajudado a fazê-la com suas próprias mãos, e havendo-nos ajudado a sustentar logo em princípio de sua fundação."

A forma como o padre José de Anchieta referiu-se ao cacique Tibiriçá — nomeando-o como Martim Afonso — é indicativa não só da profunda relação entre os inacianos e o líder indígena, mas também da sua importância para o êxito dos jesuítas na árdua tarefa de cristianização dos índios e para a própria sobrevivência dos padres nos primórdios do processo de colonização nos Campos de Piratininga e na fundação da Cidade de São Paulo.

Fonte: ANCHIETA, José de. Carta ao Padre Diego Laynes, 16 de abril de 1563. In: VIEIRA, Celso. Anuário do Museu Histórico Nacional; GALANTI, Raphael. História do Brasil, 1911.

Fonte: ANCHIETA, José de. Carta ao Geral P. Diogo Laínes, São Vicente, 16 de abril de 1563. In: Cartas-Correspondência Ativa e Passiva do Pe. Joseph de Anchieta, S.J., ed. Hélio Abranches Viotti, S.J., Edições Loyola, São Paulo, 1984. Visualize aqui o documento original (começa no penúltimo parágrafo no canto direito)

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Nota: Sobre a Origem de Tibiriçá

Não há registros conhecidos, nem foram encontrados documentos que identifiquem o pai e a mãe de Tibiriçá e de seu irmão Piquerobi, tampouco seus avós. Qualquer tentativa de adicionar ascendentes a esta geração seria uma invenção, pois não existem registros históricos que os comprovem. A história genealógica de Tibiriçá, portanto, inicia-se com sua própria figura, documentada a partir de sua atuação como líder tupiniquim e aliado dos ocupadores portugueses.

Fontes:

  • LEME, Luiz Gonzaga da Silva. Genealogia Paulistana. Volume 1, p. 5. Visualize aqui.
  • PRADO, J. F. de Almeida. Primeiros povoadores do Brasil (1500-1530). Volume único, ps. 100, 102, 105, 107, 111, 114, 215.
  • ANCHIETA, José de. Carta ao Padre Diego Laynes, 16 de abril de 1563. In: VIEIRA, Celso. Anuário do Museu Histórico Nacional; GALANTI, Raphael. História do Brasil, 1911.
  • ANCHIETA, José de. Carta ao Geral P. Diogo Laínes, São Vicente, 16 de abril de 1563. In: VIOTTI, Hélio Abranches (ed.). Cartas-Correspondência Ativa e Passiva do Pe. Joseph de Anchieta, S.J. São Paulo: Edições Loyola, 1984. Visualize aqui o documento original.

GERAÇÃO 2: João Ramalho (1480-1582) e Bartira (1495-1559)

Dentre a descendência de Tibiriçá, destaca-se sua filha Mbicy, que ao receber o batismo católico tomou o nome de Isabel Dias, historicamente imortalizada pelo seu nome indígena Bartira ("Flor"). Uniu-se regularmente, segundo os costumes da terra e posterior legitimação, a João Ramalho, falecido em 1580 em São Paulo, o célebre náufrago português que já habitava o planalto paulista décadas antes da chegada oficial da expedição colonial de 1532. João Ramalho tornou-se o principal elo de ligação cultural e político entre os europeus e os nativos, fundando a Vila de Santo André da Borda do Campo. Desse matrimônio nasceu a base da primitiva aristocracia paulista.

Cartas Jesuíticas sobre Bartira e João Ramalho

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Fontes:

  • LEME, Luiz Gonzaga da Silva. Genealogia Paulistana. Volume 1, p. 5. Visualize aqui.
  • LEME, Luiz Gonzaga da Silva. Genealogia Paulistana. Volume 1, p. 23. Visualize aqui.
  • LEME, Luiz Gonzaga da Silva. Genealogia Paulistana. Volume 10, p. 334. Visualize aqui.
  • PRADO, J. F. de Almeida. Primeiros povoadores do Brasil (1500-1530). Volume único, p. 107.

GERAÇÃO 3: O Duplo Ramo de João Ramalho e Bartira (Nó Endogâmico)

A consanguinidade desta árvore se estreita na terceira geração através de duas filhas de João Ramalho e Bartira, cujas linhas de descendência voltarão a se fundir na geração seguinte:

  • Via A (Paterna): Antônia Quaresma (?-1613), filha de João Ramalho e Bartira, uniu-se em matrimônio a Bartolomeu Nunes Camacho (1492-1566), um dos primeiros povoadores e oficiais de Piratininga, estabelecendo uma das pioneiras linhagens da família Camacho na colônia.
  • Via B (Materna): Joana Ramalho (1512-1590), também filha de João Ramalho e Bartira, casou-se com Jorge Ferreira (1504-1591), que exerceu o cargo de Capitão-Mor do Governador da Capitania de São Vicente, homem de destacada atuação militar e administrativa na segunda metade do século XVI.

Fontes:

  • LEME, Luiz Gonzaga da Silva. Genealogia Paulistana. Volume 10, p. 334. Visualize aqui.
  • PRADO, J. F. de Almeida. Primeiros povoadores do Brasil (1500-1530). Volume único, p. 108.

GERAÇÃO 4: Gonçalo Dias Camacho (1534-1630) e Catarina Dias Ferreira (1532-1613)

A convergência das duas linhas de sangue originárias de João Ramalho e Bartira consolida-se nesta geração. Gonçalo Camacho, filho de Bartolomeu Nunes Camacho e Antônia Quaresma, casou-se com sua prima Catarina Dias Ferreira, filha de Jorge Ferreira e Joana Ramalho. Com este matrimônio, o sangue do Cacique Tibiriçá unifica-se novamente em um único leito familiar, perpetuando-se de forma concêntrica nas elites vicentinas.

Fontes:

  • LEME, Luiz Gonzaga da Silva. Genealogia Paulistana. Volume 10, p. 333. Visualize aqui.

GERAÇÃO 5: Ana Camacho (1550-1613) e Domingos Luís (1540-1615)

Do matrimônio de Gonçalo Camacho e Catarina Dias Ferreira nasceu Ana Camacho. Ela contraiu matrimônio em São Paulo com Domingos Luís, o Jovem (também grafado historicamente como Domingos Luís Camacho). Domingos Luís pertenceu a uma das linhagens mais influentes de bandeirantes e povoadores do planalto, ligada diretamente às primeiras entradas de exploração territorial e consolidação urbana da vila de São Paulo.

Fontes:

  • LEME, Luiz Gonzaga da Silva. Genealogia Paulistana. Volume 1, p. 24. Visualize aqui.
  • LEME, Luiz Gonzaga da Silva. Genealogia Paulistana. Volume 10, p. 335. Visualize aqui.

GERAÇÃO 6: Bernarda Luís (1578-1649) e o Capitão-Mor Amador Bueno da Ribeira (1584-1649)

Nesta geração, a linhagem conecta-se a uma das figuras mais emblemáticas da história colonial brasileira. Bernarda Luís, filha de Domingos Luís e Ana Camacho, casou-se em São Paulo com o célebre Capitão-Mor Amador Bueno da Ribeira (1584–1649). Amador Bueno ficou imortalizado na história como "o Aclamado" por ter recusado, em 1641, a coroa de Rei de São Paulo oferecida por colonos castelhanos, mantendo sua fidelidade a Portugal. A união de Bernarda e Amador Bueno projetou a família para as principais esferas de poder da colônia.

Fontes:

  • LEME, Luiz Gonzaga da Silva. Genealogia Paulistana. Volume 1, p. 55. Visualize aqui.

GERAÇÃO 7: Maria Bueno da Ribeira (1615-1646) e o Capitão João Mateus Rendon (1600-1655)

A expansão geográfica da família consolida-se com Maria Bueno da Ribeira, filha do Capitão-Mor Amador Bueno da Veiga e de Bernarda Luís. Ela uniu-se em matrimônio em São Paulo ao Capitão João Mateus Rendon (originalmente Juan Mateo Rendón), um militar de origem espanhola estabelecido na capitania paulista. Essa união introduziu o apelido "Rendon" na aristocracia da terra, combinando o prestígio da antiga linhagem mameluca e bandeirante com a oficialidade militar ibérica.

Fontes:

  • LEME, Luiz Gonzaga da Silva. Genealogia Paulistana. Volume 1, p. 281. Visualize aqui.
  • LEME, Luiz Gonzaga da Silva. Genealogia Paulistana. Volume 1, p. 288. Visualize aqui.

GERAÇÃO 8: Inácio de Andrade Souto Maior (1632-1703) e Ana de Alarcão e Luna (1641-1670)

Filho de Ignácio de Andrade Machado e Helena de Souto Maior, o Capitão Inácio de Andrade Souto Maior dá continuidade ao tronco. Ele contraiu matrimônio com Ana de Alarcão e Luna, que por sua vez era filha de Juan Mateo e Maria Bueno. Esta geração marca o início do deslocamento e espalhamento de ramos familiares em direção ao Vale do Paraíba e à Capitania do Rio de Janeiro, um caminho de transição que precedeu a posterior fixação de seus descendentes em Minas Gerais.

Fontes:

  • LEME, Luiz Gonzaga da Silva. Genealogia Paulistana. Volume 9, p. 3. Visualize aqui.

GERAÇÃO 9: Helena de Andrade Souto Maior (1666-1739) e Clemente Pereira de Azeredo Coutinho (1773-1739)

A linha de sucessão segue por Helena de Andrade Souto Maior, filha do Capitão Inácio de Andrade Souto Maior e Ana de Alarcão e Luna. Ela casou-se com o Capitão-Mor Clemente Pereira de Azeredo Coutinho, fidalgo da Casa Real e proprietário de engenhos no Rio de Janeiro. Esta geração marca uma sólida projeção política e econômica da família, consolidada quando Clemente passou a atuar diretamente na expansão aurífera das Minas Gerais, tornando-se o primeiro Juiz Ordinário e Capitão-Mor de Sabará em 1711.

Fontes:

  • LEME, Luiz Gonzaga da Silva. Genealogia Paulistana. Volume 9, p. 9. Visualize aqui.

GERAÇÃO 10: Paula Rangel de Azeredo Coutinho (1701-1757) e Lourenço de Oliveira Barcelos (1678-1747)

Do matrimônio de Helena e Clemente nasceu Paula Rangel de Azeredo Coutinho. Ela uniu-se a Lourenço de Oliveira Barcelos. Este casal viveu no período de consolidação das rotas comerciais entre o Rio de Janeiro e Minas Gerais, época em que a fixação de sobrenomes de origem açoriana e nortista portuguesa se expandia para o abastecimento da crescente população mineira.

Fontes:

GERAÇÃO 11: José de Freitas Pacheco (1721-1775) e Perpétua Antônia de Azeredo Coutinho (1734-1771)

Dando sequência à linha direta, encontramos José de Freitas Pacheco, filho de Manuel de Freitas e Josefa Maria Pacheco. Ele casou-se com Perpétua Antônia de Azeredo Coutinho, filha de Lourenço de Oliveira Barcelos e Paula Rangel de Azeredo Coutinho. O sobrenome Azeredo Coutinho evoca ramos tradicionais da elite proprietária fluminense. Os filhos deste casal iniciaram o deslocamento definitivo para o interior de Minas Gerais.

Fontes:

GERAÇÃO 12: João de Freitas Pacheco de Azeredo Coutinho (1770-1827) e Francisca Ignácia de Jesus (1779-?)

A fixação definitiva em solo mineiro amadurece nesta geração. João de Freitas Pacheco de Azeredo Coutinho, filho de José de Freitas Barcelos e Perpétua Maria de Azeredo Coutinho uniu-se em matrimônio a Francisca Ignácia de Jesus.

Fontes:

GERAÇÃO 13: Francisca de Paula de Azeredo Coutinho (1802-1850) e Joaquim Carlos Nogueira (?-?)

Francisca de Paula de Azeredo Coutinho, nascida em março de 1802 e batizada na Igreja Matriz de Santa Anna de Sapucaí, pertencia a uma influente linhagem colonial conectada às célebres "Três Ilhoas" açorianas e aos fundadores do Rio de Janeiro. Filha legítima do Capitão João de Freitas Pacheco de Azevedo Coutinho e de Francisca Ignácia de Jesus, ela viveu uma trajetória marcada pela dissidência moral e pelo apagamento institucional. Por manter uma união estável à margem do matrimônio eclesiástico com Joaquim Carlos Nogueira, que resultou em filhos registrados como de "pai incógnito" para os padrões da época, Francisca enfrentou o severo julgamento de sua classe e foi punida com o ostracismo econômico, sendo sumariamente omitida e deserdada no testamento de seu pai em 1827. Apesar da marginalização social e de um casamento tardio com Américo Felizardo da Costa, sua descendência provou-se resiliente; seu primogênito, Carlos José Nogueira, prosperou em Formiga-MG, perpetuando o sangue da família através das gerações seguintes. Francisca faleceu na Vila de Caldas-MG, em 3 de junho de 1850, envolta no Hábito do Carmo.

Vale ressaltar que a historiografia local, especificamente na obra de Sobrinho (2007), aponta uma divergência documental quanto à identidade de Joaquim Carlos Nogueira. Embora figure em algumas certidões de cartório sob o prenome 'Manoel', as evidências colhidas em processos de habilitação ao sacerdócio de seus descendentes corroboram a grafia 'Joaquim', sendo esta a forma considerada correta para a correta identificação genealógica da linhagem.

Fontes:

GERAÇÃO 14: O Capitão Carlos José Nogueira (1825-1902) e Maria Luísa de Lima (1825-1870, aprox.)

O ponto culminante deste tronco específico estabiliza-se em Carlos José Nogueira, nascido em Caldas-MG por volta de 1825 e falecido aos 77 anos de idade em 30 de dezembro de 1902, na sua residência à Rua do Rosário, na cidade de Formiga-MG. Filho de Joaquim Carlos Nogueira e de Francisca de Paula Azevedo Coutinho, Carlos José atuou como influente negociante e capitão na região. Ele contraiu matrimônio com Maria Luiza de Lima Nogueira, falecida em Formiga-MG em 1870. Carlos José Nogueira representa a síntese dessa longa jornada genealógica de mais de três séculos: fincou raízes com Tibiriçá, marchou com os Bueno da Veiga, desceu pelas paróquias fluminenses e floresceu no coração de Minas Gerais.

Fontes:

  • CARTÓRIO DE REGISTRO CIVIL DE FORMIGA (MG). Certidão de Óbito de Carlos José Nogueira (1902). Visualize aqui.
  • BRASIL. COMARCA DE FORMIGA (MG). Inventário de Carlos José Nogueira (1903). Visualize aqui.
  • BRASIL. COMARCA DE FORMIGA (MG). Inventário de Maria Luíza Firmina de Lima (1872). Visualize aqui.

EPÍLOGO: A Continuidade do Ramo até Geraldo Gontijo

A partir do Capitão Carlos José Nogueira, os registros oficiais de óbito, casamento e nascimento comprovam a linha de sucessão direta até a integração com a família Gontijo:

  1. Francisco Antonio Nogueira (1848-1898): Filho legítimo de Carlos José Nogueira e Maria Luiza de Lima. Natural de Franca-SP, foi fazendeiro e negociante em Formiga-MG, onde faleceu aos 51 anos, em 30 de novembro de 1898. Foi casado com Hilaria Teodolina da Silva Nogueira (1856-1933), natural de Formiga-MG, filha de Antonio Pedro da Silva e Maria José da Silva, falecida viúva em 6 de abril de 1933.
  2. Alzira Amélia Nogueira (1881-1954): Filha legítimo de Francisco Antonio Nogueira e Hilaria Teodolina da Silva Nogueira. Nascida em Formiga-MG por volta de 1881, uniu-se em matrimônio por comunhão de bens em 23 de outubro de 1909 a Américo Gontijo (1874-1949), natural de Formiga, filho de José Theodoro Gontijo e Anna Roza de Viterbo.
  3. Geraldo Gontijo (1916-1958): Filho legítimo de Américo Gontijo e Alzira Amélia Nogueira. Nascido na cidade de Formiga-MG em 6 de março de 1916, consolidou este ramo ao contrair matrimônio em 2 de julho de 1941 com Alaide Freitas (1923-1981), nascida em 23 de outubro de 1923, filha de Manoel Barbosa de Freitas e Maria de Oliveira Freitas.

↳ A descendência continua no Sub-Ramo Américo Gontijo

Américo Gontijo e Alzira Amélia Nogueira deram continuidade à linhagem em Formiga, Minas Gerais, consolidando a conexão entre o tronco indígena e a família Gontijo.

Visite aqui o Sub-Ramo Américo Gontijo →

Fontes Históricas e Documentais

  • Registros Paroquiais:
  • Registros Civis:
    • BRASIL. Cartório de Registro Civil de Formiga-MG. Certidão de Óbito de Carlos José Nogueira. 31 dez. 1902. Livro 05-C, fl. 79, Termo 202. Matrícula 0420020155 1902 4 00005 079 0000202 51. Visualize aqui.
    • BRASIL. Cartório de Registro Civil de Formiga-MG. Certidão de Óbito de Francisco Antonio Nogueira. 30 nov. 1898. Livro 04-C, fl. 180, Termo 123. Matrícula 0420020155 1898 4 00004 180 0000123 18. Visualize aqui.
    • BRASIL. Cartório de Registro Civil de Formiga-MG. Certidão de Óbito de Hilaria Teodolina da Silva Nogueira. 07 abr. 1933. Livro 19-C, fl. 27v, Termo 834. Matrícula 0420020155 1933 4 00019 027 0000834 11. Visualize aqui.
    • BRASIL. Cartório de Registro Civil de Formiga-MG. Certidão de Casamento de Américo Gontijo e Alzira Amélia Nogueira. 23 out. 1909. Matrícula 0420020155 1909 2 00005 097 0000098 19. Visualize aqui.
    • BRASIL. Cartório de Registro Civil de Formiga-MG. Certidão de Nascimento de Geraldo Gontijo. 06 mar. 1916. Matrícula 0420020155 1916 1 00020 189 0000110 52.
    • BRASIL. Cartório de Registro Civil de Formiga-MG. Certidão de Casamento de Geraldo Gontijo e Alaide Freitas. 02 jul. 1941. Matrícula 0420020155 1941 2 00017 049 0001643 51.
    • BRASIL. Cartório de Registro Civil de Formiga-MG. Certidão de Nascimento de Alaide Freitas. 23 out. 1923. Matrícula 0420020155 1923 1 00030 126 0000504 55.
  • Estudos e Bibliografia de Apoio:
    • ALMEIDA PRADO, J. F. de. Primeiros povoadores do Brasil (1500 a 1530). São Paulo: Ed. Nacional, 1939.
    • LEME, Luiz Gonzaga da Silva. Genealogia paulistana. São Paulo: Duprat & Cia, 1903-1905. 9 v.
    • MENDES JÚNIOR, João. Os indígenas do Brasil: seus direitos individuais e políticos. São Paulo: Typ. Hennies Irmãos, 1912.
    • RHEINGANTZ, Carlos G. Primeiras famílias do Rio de Janeiro (Séculos XVI e XVII). Rio de Janeiro: Livraria Freitas Bastos, 1964-1972. 3 v.
    • SOBRINHO, J. F. de P. A formação histórica das comunidades no Brasil: estudo da criação do Arraial São Vicente Férrer da Formiga. Sua história e sua gente. 1. ed. Belo Horizonte: Editora Del Rey, 2007. 8 v.