Tronco Antônio Bicudo

Linhagem Paulistana dos Bicudos – Dos Açores à Capitania de São Paulo (século XVI–XVII). Reconstrução baseada em Genealogia Paulistana, Nobiliarchia Paulistana e documentos primários.

Linhagem Bicudo – Linha de Sucessão Direta

A família Bicudo é uma das mais antigas e tradicionais de São Paulo colonial, com raízes na Ilha de São Miguel, no Arquipélago dos Açores (Portugal). Seu fundador em terras brasileiras foi Vicente Annes Bicudo (também grafado como Vicente Agnes Bicudo ou Vicente Bicudo), casado com Mécia Nunes. O casal viveu na Ilha de São Miguel e teve, entre seus filhos, Antônio Bicudo, o principal tronco da linhagem paulista.

Antônio Bicudo (por vezes referido como Antônio Bicudo Carneiro) nasceu por volta de 1540–1555 na Ilha de São Miguel. Veio para a Capitania de São Paulo ainda jovem, acompanhado de seu irmão Vicente Bicudo. Juntos, participaram do povoamento inicial, ajudando na defesa contra os indígenas hostis e requerendo, em 1610, terras junto ao rio Carapicuíba, onde já residiam havia anos (Arquivo da Câmara de São Paulo, Caderno de Registros, 1607).

Capítulo consultado na Genealogia Paulistana

Fonte: Luiz Gonzaga da Silva Leme, Genealogia Paulistana, Volume VI – Título Bicudos.
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Homem de grande prestígio, Antônio Bicudo exerceu diversos cargos na governança da vila: juiz ordinário, vereador, almotacel e, especialmente, Ouvidor da Comarca e Capitania por volta de 1585. Nesse ano, determinou a construção do pelourinho de São Paulo, símbolo de ordem e justiça. Foi também sertanista e bandeirante, participando de importantes entradas, como as de Afonso Sardinha, o Moço (1593), Nicolau Barreto (1602) e possivelmente associado à grande expedição de Antônio Raposo Tavares (1628). Contribuiu ainda para a descoberta de ouro na serra do Jaraguá e no Ribeirão Santa Fé.

Casou-se com Isabel Rodrigues, natural de São Paulo, filha de Garcia Rodrigues e Isabel Velho. O casal teve seis filhos, conforme requerimento de chãos feito por Isabel em 1598.

O casal Antônio Bicudo e Isabel Rodrigues teve seis filhos, conforme requerimento de chãos feito por Isabel em 1598 (quando o marido já era considerado ausente, provavelmente em expedições ao sertão): Antônio Bicudo (casado com Maria de Brito) Domingos Nunes Bicudo, Maria Bicudo, Marta de Mendonça, Jeronima (Hyeronima) de Mendonça, e Guiomar Bicudo.

Geração 1 – Tronco em São Paulo

Antônio Bicudo

(c. 1540–1555, Açores – após 1598)

Isabel Rodrigues

(natural de São Paulo)

Filha: Maria Bicudo

Maria Bicudo, filha de Antônio Bicudo e Isabel Rodrigues, casou-se com o Capitão Manuel Pires (ca. 1585-1659), importante bandeirante e figura de grande autoridade em São Paulo, que mantinha numerosos administrados indígenas convertidos ao catolicismo. O casal residiu em Parnaíba e teve nove filhos, entre eles Estevão Rodrigues (jesuíta), Gonçalo Pires Bicudo, Nuno Bicudo de Mendonça e Salvador Bicudo de Mendonça. Maria foi sogra de Antônio Raposo Tavares e herdeira de seu neto Fernão Raposo Tavares (falecido em Cabo Verde), cujo inventário foi anexado ao dela. Faleceu com testamento em 16 de janeiro de 1659 em Parnaíba, já em idade avançada.

Capítulo consultado na Nobiliarchia Paulistana

Fonte: Pedro Taques de Almeida Paes Leme, Nobiliarchia Paulistana Histórica e Genealógica, Tomo III - Capítulo I. Visualize aqui o arquivo em tela inteira.

Geração 2

Maria Bicudo

(† 16/01/1659)

Manuel Pires

(Capitão • Bandeirante) (ca. 1585-1659)

Neta: Maria Bicudo

Maria Bicudo, filha de Maria Bicudo e Manuel Pires, casou-se em 1665 em Parnaíba com Capitão Diogo da Costa Tavares, natural da Ilha de São Miguel. Faleceu em 1681 em Santana de Parnaíba.

Teve Maria Bicudo, do Capitão Diogo Tavares: Maria Bicudo Tavares. Fernão Bicudo Tavares. Ana Bicudo Tavares. Isabel da Costa Tavares. Diogo da Costa Tavares. Capitão Antônio Vieira Tavares. Catarina Bicudo Tavares. Maria de Mendonça Tavares.

A descendência de Maria Bicudo Tavares é tratada no Tronco João de Elvas, ramo Américo Gontijo e Alzira Amélia Nogueira.

Geração 3

Maria Bicudo

(?-antes de 1659)

Capitão Diogo da Costa Tavares

(?-?)

Testamento de Maria Bicuda, viúva de Manuel Pires

A compreensão precisa desta linhagem foi amplamente clarificada pelo estudo documental realizado pelo Projeto Compartilhar, que trouxe à luz o testamento de Maria Bicudo (a matriarca), datado de 27 de junho de 1659. Este documento é de importância singular, pois encontra-se entrelaçado ao inventário de seu neto, Fernão Raposo Tavares, falecido em Cabo Verde em 1658. A conexão entre ambos os espólios ocorre porque Maria Bicudo foi a herdeira universal dos bens de seu neto, consolidando uma rede sucessória que atravessava o Atlântico.

O testamento comprova categoricamente a existência de uma filha chamada Maria Bicuda — a neta que herdou o nome da avó. Um aspecto fundamental revelado pela partilha é que esta filha, Maria Bicuda, já era falecida quando a matriarca ditou suas últimas vontades.

A complexidade da rede familiar é ainda mais evidente no tratamento dos legados. O documento registra que as filhas e netas de Diogo da Costa Tavares, viúvo de Maria Bicuda (filha), foram contempladas diretamente na sucessão: "Netas filhas de Diogo da Costa Tavares (peças de legado testamentário)". Este registro não apenas confirma a descendência, mas demonstra como a matriarca, mesmo no fim da vida, exercia o papel de tutora e provedora das gerações que a sucediam, assegurando que o patrimônio, incluindo os "legados testamentários" (peças de valor), alcançasse a descendência da filha falecida.

Inventário e Testamento de Maria Bicudo

Fonte: Bartyra Sette, Inventário e Testamento de Maria Bicudo (anexo Fernão Raposo Tavares), 1660. Projeto Compartilhar. Visualize aqui o arquivo em tela inteira.

Legado da Linhagem

A descendência direta de Antônio Bicudo e de sua filha Maria Bicudo espalhou-se por São Paulo, Parnaíba, Itu, Taubaté, Mogi das Cruzes e sertões do interior, entrelaçando-se com famílias como Pires, Leme, Raposo Tavares, Siqueira, Gago, Vaz da Cunha e muitas outras. Essa linha contribuiu para a expansão bandeirante, a ocupação de terras, a descoberta de ouro e a formação da elite colonial paulista.

Nota sobre o nome Carneiro

Pedro Taques e Silva Leme adotaram o apelido “Antônio Bicudo Carneiro”. Pesquisas baseadas em documentos primários indicam que se trata de uma anotação imprecisa. Antônio assinava simplesmente como “Antônio Bicudo”.

Capítulo consultado na Revista ASBRAP

Fonte: Pedro Silva Inácio, Considerações e Controvérsias acerca do nome de Antônio Bicudo versus Antônio Bicudo Carneiro. Revista ASBRAP no. 28, 2021. Visualize aqui o arquivo em tela inteira.

Linhagem Bicudo – Linha de Sucessão Direta

Dos Açores à Capitania de São Paulo

VICENTE ANNES BICUDO + MÉCIA NUNES Naturais da Ilha de São Miguel, Açores Linhagem de Sucessão ANTÔNIO BICUDO c. 1540–1555 • Ilha de São Miguel • Bandeirante e Ouvidor casado com ISABEL RODRIGUES MARIA BICUDO Falecida em 16 de janeiro de 1659 • Santana de Parnaíba casada com CAPITÃO MANUEL PIRES MARIA BICUDO Filha de Maria Bicudo e Capitão Manuel Pires casada com CAPITÃO DIOGO DA COSTA TAVARES MARIA BICUDO TAVARES c. 1655 • São Paulo casada com DIOGO DE SOUSA LIMA

Continuidade da genealogia de Antônio Bicudo até a Família Gontijo

A linhagem de Antônio Bicudo estende-se por diversas gerações, avançando pelos séculos XIX e XX. Este percurso histórico revela o momento em que sua genealogia se funde aos Nogueira, em Formiga-MG, culminando posteriormente na união com a família Gontijo, consolidando um ramo fundamental na história regional.

↳ Visite o tronco João Lopes de Elvas

↳ Visite o ramo Américo Gontijo e Alzira Amélia Nogueira

Fontes principais:

  • LEME, Luiz Gonzaga da Silva. Genealogia Paulistana. Volume VI (Título Bicudos). São Paulo: Duprat & Comp., 1904.
  • PAES LEME, Pedro Taques de Almeida. Nobiliarchia Paulistana Histórica e Genealógica. Volume III. São Paulo: Instituição Brasileira de Difusão Cultural, 1953.
  • BOGACIOVAS, Marcelo Meira Amaral. O casal Gaspar Vaz da Cunha – Feliciana Bicudo Garcia. Revista da ASBRAP, São Paulo, n. 1, 1995.
  • INÁCIO, Pedro Silva. Considerações e controvérsias acerca do nome Antônio Bicudo versus Antônio Bicudo Carneiro. Revista da ASBRAP, São Paulo, n. 28, 2021.